Facebook Instagram Twitter YouTube

"Tesouros Musicais do Holocausto" chega a SP nesta semana

cultura

O ambiente era de terror. Sofrimento e angústia preenchiam a atmosfera dos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Mas, mesmo naquele clima de desespero, havia espaço para a esperança na forma de música. Prova disso são as partituras inéditas de músicas compostas por artistas vítimas da perseguição nazista descobertas através de ampla pesquisa internacional.

Uma seleção dessas obras, ainda inéditas, faz parte do projeto ‘Tesouros Musicais do Holocausto’ que terá apresentação especial no dia 13/11, às 21h, no Teatro Anne Frank, no Clube A Hebraica, em evento aberto ao público da cidade. O concerto, liderado pelo maestro Ilya Stupel, com a presença do maestro Ricardo Calderoni, celebra os 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. O espetáculo será executado pela Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, a mais antiga do Brasil, sendo referência nacional em programas sinfônicos e operísticos.

“Estamos celebrando 70 anos da libertação dos campos de concentração. Mas, ainda hoje, a intolerância e as guerras persistem e, em vários países, até se agigantam”, comenta Sabetai Calderoni, CEO da Brasil Produções, organizadora do espetáculo. 

 

Turnê 2016

 

Para o próximo ano, o espetáculo terá turnê nacional com a participação de músicos da Orquestra Filarmônica de Lemberg (também conhecida como Lviv). Fundada pelo maestro Franz Mozart, filho de W.A. Mozart, é considerada uma das mais importantes da Europa. No Brasil, ela dividirá o palco com músicos da Orquestra Sinfônica de Campinas.

Entre as 2.500 obras analisadas durante o desenvolvimento do Projeto ‘Tesouros Musicais do Holocausto’ há partituras que foram escondidas por seus autores antes de serem capturados pelos oficiais do governo alemão. “Nas regiões conflagradas foram achados baús de metal com partituras desses compositores. 

O regente Paul Kletzki (1900 – 1973) foi um dos que usou essa estratégia. Ele perdeu familiares nos campos e, ao ser libertado, nunca mais compôs, dedicando-se somente à regência, tendo alcançado fama nos Estados Unidos. Suas composições só foram descobertas após seu falecimento”, explica o maestro Ricardo, que também é diretor artístico do projeto.

Neto de sobrevivente do holocausto, ele relata ainda que muitas das peças, de autoria de grandes artistas, foram encontradas em campos de concentração. Pesquisas realizadas na Itália, Alemanha, Áustria, Polônia e República Tcheca ampliaram a coletânea. “Parte dos compositores não sobreviveu à opressão nazista. Muitos que foram libertados ou escaparam sequer tiveram a oportunidade de rever e executar suas obras. É muito inspiradora a imensa força interior desses artistas: ‘Podem aprisionar nosso corpo, mas nosso espírito viverá sempre em liberdade’”, conclui emocionado.

 

Alegria presente nas composições

Ao contrário do que se poderia supor, as obras selecionadas para a apresentação no Brasil não são melancólicas, como antecipa o maestro Stupel. “Ao escrevê-las, os músicos fugiam espiritualmente ao sofrimento e às péssimas condições de vida, criando peças cheias de esperança e alegria”, diz. 

De acordo com ele, o valor simbólico das composições aumenta, em especial, porque muitas delas foram escritas sem que os autores tivessem os instrumentos à mão. “Muitos desenvolveram as partituras a partir do conhecimento e da vivência musical anterior ao aprisionamento. E, mesmo assim, as peças são lindas”, completa Stupel, cujo pai e tio, ambos músicos eruditos, estiveram presos em campos de concentração.

Tesouros Musicais do Holocausto’ chega aos país por intermédio da Brasil Produções, também responsável por toda organização do evento. “Temos o apoio da UNESCO, agência da ONU voltada à educação; do Instituto Yad Vashem, o Museu do Holocausto de Jerusalém; da CONIB Confederação Israelita do Brasil; de A Hebraica; e da Embaixada de Israel no Brasil. Esse reconhecimento reforça a relevância e riqueza desses verdadeiros tesouros musicais e históricos”, diz Sabetai Calderoni. 

 


Serviço

Tesouros Musicais do Holocausto
Data: 13/11
Local: Clube A Hebraica – Teatro Anne Frank - Rua Hungria, 1000 - Pinheiros
Quanto:  De R$ 280,00 a R$ 800,00

Vendas: Bilheteria do clube A Hebraica ou http://www.ingressorapido.com.br



Compartilhar no Twitter

Publicidade